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Mestrando indígena da UEMS faz monitoramento de casos de Covid-19 em aldeias de MS

Por Redação em 20/04/2021 às 21:17:53

Foto: Divulgação

"J√° s√£o mais de 5 mil indígenas infectados pela Covid-19 e 86 óbitos em aldeias de diversos municípios", esse é o resultado (até 15/04/2021), do monitoramento realizado pelo mestrando em Recursos Naturais (PGRN) da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Gledson Martins, 23 anos, da etnia Guarani-N√£ndeva da aldeia Porto Lindo, de Japor√£/MS.

O trabalho é desenvolvido por ele e pelos orientadores Doutor Sandro Marcio Lima e a pós-doutora Maryleide Ventura da Silva, com base nos dados divulgados pelo boletim da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e Distrito Sanit√°rio Especial Indígena (DSEI). Segundo a pesquisa, a maioria dos 86 óbitos foram nos municípios de Dourados, Aquidauana, Miranda, Sidrol√Ęndia e Campo Grande com os maiores números de mortes. As etnias mais atingidas s√£o os guaranis, kaiow√°s e terenas.

"Nesse m√™s de abril é possível observar intervalos maiores (em dias) entre o registro de novos casos e óbitos sobre os indígenas. Apesar disso, todos os cuidados b√°sicos ainda devem ser exercidos, pois existe grande possibilidade de haver explos√£o de novos casos. Ainda n√£o foram imunizados 100% da popula√ß√£o indígena no Estado. Nesse sentido, a proximidade de algumas aldeias indígenas de centros urbanos como o caso de Dourados é um dos fatores que mais agravam a situa√ß√£o dos povos indígenas", ressalta Gledson Martins.

O mestrando em Recursos Naturais cursou a gradua√ß√£o tecnológica em Gest√£o Ambiental, na UEMS de Mundo Novo, e no início de 2019 iniciou o mestrado, o primeiro em sua família a cursar uma pós-gradua√ß√£o. Ele est√° inserido na linha de pesquisa: Materiais e Métodos Aplicados aos Recursos Naturais, entretanto houve mudan√ßas na pesquisa e ele passou a modelar matematicamente os casos de COVID-19 sobre os povos indígenas de MS.

Gledson Martins ressalta que est√° cumprindo um dever social e sua contribui√ß√£o é uma pequena parcela do investimento que toda a popula√ß√£o brasileira realiza no ensino superior e pós-gradua√ß√£o de institui√ß√Ķes públicas. "Especificamente para os povos indígenas, é um retorno significativo de minha parte à lutas que muitos indígenas, na maioria dos casos, ainda analfabetos, buscaram conquistar. Meu trabalho contribui inicialmente no registro histórico da situa√ß√£o di√°ria que os povos indígenas enfrentam. Com o monitoramento ainda podemos estudar a propaga√ß√£o do vírus desde o início dos primeiros casos afim de propor medidas de controle para os gestores locais, bem como as lideran√ßas indígenas, líderes municipais, estaduais e federal", destaca.

Ele enfatiza que as a√ß√Ķes afirmativas, popularmente conhecida como "cotas" s√£o uma conquista da popula√ß√£o indígena para ser incluído em espa√ßos como a universidade pública. Apesar de ingressar no PGRN pela ampla concorr√™ncia, ele ainda retribui esse ingresso à luta de seus parentes para conquistar vagas especificas à indígenas no ensino superior no contexto nacional.

E a UEMS, desde a gradua√ß√£o, tem contribuído em sua forma√ß√£o. Neste período ele j√° foi orientado por cinco docentes doutores da Universidade, na pesquisa e na extens√£o. Esses profissionais contribuíram em sua forma√ß√£o como pesquisador que domina ferramentas tecnológicas e de um amplo conhecimento para a elabora√ß√£o de projeto de recupera√ß√£o de √°reas degradadas, o qual atualmente j√° exerce profissionalmente. "A minha comunica√ß√£o na língua inglesa também só foi possível devido aos professores da UEMS. Outra situa√ß√£o que fui surpreendido foi o fato de um professor pedir para valorizar minha língua materna, o guarani, que infelizmente em alguns espa√ßos s√£o discriminados", lembra.

Ele ser√° o primeiro mestre de sua família e j√° tem outros familiares cursando o ensino superior – duas no curso de Direito da UEMS de Naviraí. "É uma experi√™ncia prazerosa e cansativa. A dedica√ß√£o que fa√ßo é grande e creio que é v√°lido. Pois como j√° comentei, s√£o financiados pelo povo justamente para o desenvolvimento social do Brasil. Combater a desigualdade intelectual é meu objetivo, por isso também tenho meus grupos de estudos para apoiar vestibulandos. Essa é parte prazerosa. A parte cansativa é de conhecimento de todos, s√£o os desafios físicos, mentais e até mesmo minha rela√ß√£o com os governantes que gerenciam a educa√ß√£o brasileira que desgastam meu psicológico", finaliza o mestrando do PGRN, Gledson Martins.

Confira a nota técnica publicada com os dados da pesquisa de Gledson Martins sobre "A COVID-19 NA POPULA√á√ÉO INDÍGENA DE AQUIDAUANA-MS". Clique aqui e confira.

Fonte: Portal do Governo de Mato Grosso do Sul

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